A edição 83 do Projétil

O curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul possui seu próprio jornal laboratório. Ele se chama Projétil.

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Quando ingressei em Jornalismo – isso no primeiro semestre de 2013 -, os jornais ficavam empilhados ou guardados dentro de caixas de papelão logo ali, naqueles bancos de madeira pra lá de desconfortáveis que compunham a decoração do departamento do curso. Vez ou outra eu tinha o costume de bisbilhotar aquelas pilhas de papel e me deparava com aquele nome esquisito estampado em todas as capas. Projétil. Ok, então era assim que se chamava o jornal que os acadêmicos escreviam. O nosso jornal.

Lia as matérias de meus veteranos sentindo um friozinho na barriga. Eles assumiram aquele trabalho no quarto e no quinto semestre e, caraca, uma hora chegaria a vez da minha turma! Um dia cairia nas nossas mãos a responsabilidade de dar sequência ao Projétil e, ao contrário de muitas coisas que nós não sabemos quando vai acontecer, essa missão já tinha data marcada: segundo semestre de 2014.

Durante boa parte do meu primeiro ano isso me empolgou.

Nós vamos escrever para um jornal! Um jornal que será impresso e, se tudo der certo, também chegará nas mãos de vários e vários leitores! Não vão ser apenas os nossos pais, amigos e professores lendo, mas pessoas que nós sequer sabemos quem são também vão conhecer a nossa escrita!!!

E por pensar demais nisso eu acabei me desesperando.

2013 chegava ao fim e tudo o que se passava pela minha cabeça era: meu Deus do céu, ano que vem vamos assumir o Projétil. Eu não sentia mais aquele friozinho na barriga que era tão gostoso, nem muito menos a empolgação com a qual já estava até acostumada. Eu estava conhecendo outro tipo de sentimento e ele, meus amigos, era o mais puro e completo pavor.

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No início de 2014 nós fomos apresentados à disciplina “Reportagem, entrevista e pesquisa jornalística” e nela iniciamos uma série de pesquisas sobre determinados pontos de Campo Grande. Eu, a Jack e a Fefa formamos um trio e recebemos como tema a ser trabalhado a Rodoviária Antiga da capital. Quem diria que a nossa matéria no Projétil seria sobre aquele lugar?

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Pois é, acabamos por resgatar a pesquisa feita no início do ano e, pouco depois de engrenarmos no segundo semestre, arregaçamos as mangas de nossas blusas e colocamos as mãos na massa.

Iniciamos todo o processo de apuração, edição, revisão e muitos outros ãos. Lágrimas rolaram, o coração palpitou, fios de cabelo deixaram as nossas cabeças. O desafio de desenvolver aquela matéria ia muito além da escrita, que inicialmente era o meu grande medo. Aprendemos na marra a lidar com determinadas situações ou então o trabalho simplesmente não sairia.

As horas de sono perdidas nos levaram a um nível de estresse assustador e eu via nas expressões de alguns colegas que nós não éramos as únicas que sentíamos aquilo. Pautas caíram ao longo do processo e outros obstáculos também foram surgindo, mas nós precisávamos seguir com o cronograma ou tudo desandaria. Ah, o deadline… se nós escolhemos essa profissão, precisamos aprender a lidar com ele de um jeito ou de outro. Não tem outra saída.

Mas os textos estavam ganhando forma, cor e diagramação, apesar de todas as dificuldades. Nós não aguentávamos mais ler e reler a mesma coisa em busca de possíveis erros de escrita e pontuação, é verdade, mas as matérias estavam recebendo o seu molde e era isso o que importava.

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Matéria que a Dê fez com a Isa e o Vitor :3

Só que a vida, senhoras e senhores, é doooona de pregar peças. Quando pensamos que tudo estava pronto, percebemos que a impressão não estava como gostaríamos. O jornal precisou voltar para a gráfica, ser reimpresso e com isso, infelizmente, alguns planos que estavam no calendário não foram realizados. No entanto, graças aos céus, após a reimpressão ele chegou atendendo parte das nossas expectativas e agora ele está aqui, nas nossas mãos. A edição 83 está pronta. O nosso bebê finalmente nasceu.

Antes e depois da reimpressão
Antes e depois da reimpressão

O trabalho de um semestre inteiro está nessas 16 matérias que compõe o jornal de 32 páginas. E eu não poderia estar mais aliviada. Sim, agora o que estou sentindo é alívio! Alívio por ver que, mesmo com todos os solavancos, ele ficou pronto. Alívio por termos concluído essa etapa. Mas, vejam, não acabou. Como eu disse: os veteranos assumiram o Projétil no quarto e no quinto semestre, logo, o mesmo acontecerá conosco. Ano que vem tem mais.

Dessa vez, porém, eu não quero ficar refletindo sobre esse assunto assim, antecipadamente. Não mesmo. A única coisa que eu quero fazer agora envolvendo o Projétil é agradecer. Obrigada às fontes que dedicaram uma parte de seu tempo nas entrevistas; aos professores que nos auxiliaram; aos colegas de sala que corrigiram e revisaram nossos textos; aos papais, mamães e amigos que aguentaram uma pancada de desabafos envolvendo a pauta “isso não vai dar certo, bicho”. MAS DEU! Apesar de tudo: deu. Por tudo isso e mais um pouco, pessoal, muito obrigada!

O post ficou realmente longo, então se você chegou até aqui: obrigada a você também, viu? Agora, se você mora longe ou mesmo se vive aqui em Campo Grande mas não conseguiu um exemplar da nossa edição – que ainda está sendo distribuída, vale lembrar! – e ficou com vontade de ler, saiu a versão digital também. Para dar uma conferida, é só clicar aqui.

É isso. Vamos nos ver todas as sextas, então até o dia 12/12, combinado?

assinatura Agora v4i

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