Senhora

Na semana passada falei aqui que tinha dado uma segunda chance para alguns livros que me foram cobrados no ensino médio, e que eu pretendia falar um pouco sobre eles conforme fosse lendo. Pois bem. Cá estou para falar sobre o primeiro da lista, um livro cuja trama sempre chamou a minha atenção mas que eu não tinha tido cabeça pra ler até o final!

Preparem-se: terá alguns spoilers!

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“Senhora” é dividido em quatro partes: O Preço, Quitação, Posse e Resgate e nelas José de Alencar nos apresenta a vida da personagem Aurélia Camargo e das pessoas próximas a ela.

Aurélia teve uma trajetória repleta de altos e baixos. Órfã de pai, cresceu até certo ponto ao lado do irmão mais velho e recebeu da mãe, dona Emília, todo o amor e dedicação que ela poderia dar aos filhos. Emília temia muito pelo futuro de sua caçula, já que as únicas pessoas com quem a menina poderia contar era ela própria e o irmão que, infelizmente, faleceu e sua saúde mesmo estava comprometida.

Tinha consigo que Aurélia não poderia esperar nada da família materna e nem mesmo da paterna caso o pior lhe acontecesse, já que ambos os lados não encararam com bons olhos a breve união que teve com seu marido, portanto sempre insistiu para que a filha, sendo uma moça tão linda e prendada, fosse passar um tempo na janela.

Naquela época, quando uma moça aparecia na janela de casa significava que ela estava disposta a ser cortejada com a condição de que aquilo rendesse um relacionamento sério (ou seja: casamento). Essa não era a vontade de Aurélia, no entanto, mas após muita insistência da mãe a protagonista acabou dando o braço a torcer.

Não faltaram senhores observando Aurélia. Na flor da idade e dona de uma beleza estonteante, chamava a atenção daqueles que passavam embora não demonstrasse o mínimo interesse por nenhum. Ao menos até Fernando Seixas aparecer.

A relação entre Aurélia e Fernando era baseada no mais profundo respeito e por ele a moça acabou se apaixonando. Porém, existia uma coisa que fazia os olhos de Fernando brilharem muito mais do que a imagem de sua amada: dinheiro. E isso, infelizmente, não era algo que Aurélia possuía e mais, como resistir à tentação de aceitar o dote de outra moça, sendo este muito maior do que qualquer outra coisa que a jovem Camargo poderia lhe oferecer?

Ah, sim. Fernando optou por abandonar Aurélia, sua noiva, para formar compromisso com Adelaide, uma senhorita cujo pai queria ter como genro o senhor Seixas e não o rapaz que a filha havia escolhido. Mal sabia Fernando que Aurélia era herdeira de uma fortuna imensurável e que viria a receber todo o dinheiro quando o avô paterno da menina se arrependesse das atitudes que teve no passado.

Quando recebeu a herança, Aurélia já não tinha mais a mãe ao seu lado estando, assim, solitária. Uma garota solitária e rica, muito rica. Tão afortunada que poderia recomeçar a vida do jeito que quisesse e seu desejo foi, após certo tempo, adquirir um marido desde que fosse da maneira que ela gostaria: comprando-o.

E quem melhor para escolher se não aquele que coloca o dinheiro acima de qualquer coisa, inclusive da mulher que supostamente ama? Fernando estava muito enganado quando pensou que seu contato com Aurélia havia acabado no instante em que rompeu o noivado entre os dois.

***

“Senhora” foi publicado em 1875 e, céus, achei a narrativa tão cansativa no início! Esse foi um dos motivos que me impediram de lê-lo inteiro quando a professora do ensino médio pediu. O que me motivou a seguir até o fim dessa vez foi a história em si. Muito boa. Muito boa MESMO.

“Nosso conhecimento data de hoje, sr. Seixas. Os mortos, deixemo-los dormir em paz.”

(p. 52)

A citação que coloquei acima é uma das minhas falas preferidas, dita por Aurélia. Eu simplesmente amei essa personagem! Ela é aquela protagonista forte, decidida e inteligente, e eu me apaixonei pela personalidade dela. Outro ponto que eu gostei muito foi a relação que o autor estabeleceu entre os protagonistas – principalmente como um se comportou com o outro durante o casamento – e como a vida e o ponto de vista de Fernando mudou com as lições que ele foi recebendo todos os dias.

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A minha edição, como vocês podem ver, é bem simples. A capa é “molinha” e as folhas são feitas de papel de jornal, sabe? Mas pra quem tá acostumada a ler mangá isso não foi problema nenhum. Sendo um livro bastante cobrado em vestibulares, encontrei nas últimas páginas algumas questões que caíram no ITA, PUC e outras universidades, então acredito que seja um exemplar legal se você estiver estudando pra provas como essa. A única coisa que eu não aprovei foi a fonte utilizada: Times New Roman pequenininha é tenso!

Recomendo muito essa leitura. Se não conseguir ler assim, de primeira, faça como eu e dê uma chance daqui alguns dias, meses ou até anos (meu caso). Esse livro merece porque vale totalmente a pena :3

“Não é uma beleza?”

“Deslumbrante! Mas, para mim, é uma beleza de espectro!”

“Não entendo!”

“É a imagem de uma mulher a quem amei e que morreu. Esta semelhança me repele!”

(p. 38)

 

A Nikki agradece o apoio de todos os leitores

e quer encontrá-los novamente no próximo post!

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Um comentário sobre “Senhora

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