Leitura obrigatória

POST

Foi no primeiro ano do Ensino Fundamental que tive minha primeira leitura obrigatória. A professora indicou um livro e nós precisávamos lê-lo já que, em breve, teríamos uma avaliação sobre ele. “A irmãzinha de Arthur” era o nome e eu gostei muito, muito mesmo. As páginas eram de papel couchê, recheada de ilustrações e uma narrativa bem gostosa. Aos sete anos gostei tanto que li mais de uma vez e gabaritei a prova.

Já o livro da segunda série não me agradou muito. O da terceira também não foi aquela cocada e, sendo bem sincera, não lembro quais foram as leituras obrigatórias do quarto até o oitavo ano. Mas lembro com uma clareza fora do comum da leitura exigida no nono e, rapaz, aquilo foi um verdadeiro martírio. Perdoem-me aqueles que admiram João Cabral de Melo Neto, mas não consegui suportar “Morte e Vida Severina”. Fiquei tão chateada que até mesmo vendi o livro para um sebo.

E foi assim que a minha birra por leitura obrigatória começou.

Eu, que tinha uma paixão enorme por livros desde o quarto ano (graças a uma série que quero muito falar a respeito, mas isso em outra oportunidade), simplesmente comecei a travar a cada vez que as professoras cobravam um livro diferente de nós, alunos, a partir do Ensino Médio. Admito que ficava empolgada quando elas contavam sobre a trama principal das histórias (não gosto do termo “estória”), mas quando sentava para ler, a magia não era a mesma. A leitura não fluía. A cada página minha frustração aumentava, já que não foi com facilidade que aceitei o fato de que precisava ler aquilo para tirar uma boa nota em Literatura (que, sim, era a minha matéria favorita no E.M.!).

Graças aos céus os livros pedidos pelo colégio não interferiram no meu apreço por ler (os livros que eu escolhia), mas essa posição das instituições fez com que eu me tornasse contra leituras obrigatórias. Acredito que, ao invés de estimular o aluno, essa estratégia acaba obtendo o efeito contrário. Foram várias as vezes que ouvi colegas reclamando do livro cobrado e completando com um “eu detesto ler!” (óbvio que isso não acontecia com todos, mas aqui estou falando da maioria que eu presenciei).

Concordo que conhecer Machado de Assis, José de Alencar, Clarice Lispector, Eça de Queirós, Raul Pompéia e outros tantos autores é importante, mas não consigo enxergar com bons olhos a obrigação. Acredito que a exposição aos livros poderia ser feita de um jeito diferente. Uma ida a biblioteca, conversar sobre as obras, criações de clubes de leitura. Técnicas que despertem o interesse pelos mundos criados por outras pessoas, sabe? Métodos que levem os alunos a encontrarem seu estilo preferido (infelizmente não é todo mundo que sente aquele amor por clássicos, sejam eles nacionais ou não) e que, dessa forma, descubram que ler é delicioso e não uma atividade entediante e aborrecedora. Mas, né. Isso nunca aconteceu na minha vida no colégio.

Toda essa introdução foi pra dizer que: hoje eu dei uma chance a alguns livros que foram cobrados no meu Ensino Médio, tudo graças a uma feira em um dos shoppings aqui de Campo Grande. Todos estavam por um preço formidável (R$ 3,00!!!!) e enquanto olhava título por título, lembrei do quão empolgada fiquei ouvindo a professora contar cada uma das histórias e pensei: por que não tentar ler outra vez? Agora não existe mais aquela obrigação.

Então eu comprei e já li alguns. Logo mais vocês vão saber o que achei de cada um deles!

Nos vemos na próxima resenha, hein?
Nikki.

Anúncios

4 comentários sobre “Leitura obrigatória

  1. Leitura obrigatória pra mim em dois lados de uma moeda, que temos de conhecer os principais autores brasileiros, temos, mas na idade em que somos obrigados a ler não se absorve muito dos livros, tenho o mesmo dilema de gostar do enredo quando vou procurar saber mas a forma com que é desenvolvida no livro de tão maçante… me broxa haha
    Aliás, acho que a maioria da aversão na fase da adolescência em questão aos livros não são porque realmente não gostam de ler ou aqueles argumentos ‘é grosso demais’ e sim a palavrinha obrigatória rondando em nossas mentes porque: ‘não sou obrigada’ haha, me lembro até hoje de quando uma professora colocou crepúsculo na lista de livros e eu cheguei no primeiro dia de aula igual uma louca exigindo meu direito de não ler :’D justamente porque me senti forçada a isso, enfim, adorei o post!

    Beijos 😉

    1. É exatamente isso, Jaque! Não consigo me sentir bem com coisas que nos obrigam a fazer. Sei lá, quando a atitude é espontânea, tenho a sensação de que a atividade se torna muito mais produtiva. Outro ponto que também leva o colégio a tomar essa atitude é que eles estão aí para nos preparar para o vestibular e nessas provas as obras são cobradas em peso, né? Entendo totalmente tudo isso, mas meu posicionamento continua sendo o mesmo: não aprovo ;-;

      E nossa, que diferente a sua professora cobrar Crepúsculo hahahaha ainda não tinha visto ninguém cobrar livros mais recentes!

      Obrigada! :3

Comente <3

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s